Pedalar em Lisboa é uma agradável surpresa

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Ponte 25 de Abril (foto: João Silveira Ramos)

Publicado no Medium.

Quem planeja conhecer uma cidade europeia pedalando naturalmente pensa primeiro em Amsterdam ou Berlim. São melhores, mas não únicas. Provavelmente Lisboa é uma das últimas da lista. Ladeiras, escadarias, ruas estreitas e calor não são aliados de quem gosta de conhecer um lugar de bicicleta.

Amsterdam, o paraíso, praticamente obriga o turista a alugar uma bicicleta. É impossível ficar alguns dias naquela cidade e não experimentar a vida nabicicletolândia. Quem deixa a Holanda sem essa experiência fica com aquela sensação de que esqueceu algo no hotel. Há alguns meses relatei minha experiência aqui.

Em Berlim, as ciclovias que cortam a cidade inteira são chamadas, à boca pequena, de “corredores da morte da atualidade”, em referência ao espaço entre o famoso Muro de Berlim — composto, na verdade, por dois muros com um corredor no meio — que era fatal para quem tentasse cruzar para o outro lado: o corredor da morte. O apelido pode não ter bom gosto, mas dá a dimensão do respeito que a cidade tem pelos ciclistas.

Longe de ser uma Amsterdam ou Berlim, Lisboa não é assim tão arredia às duas rodas como pode parecer. Temos que considerar o fato de que geralmente os turistas conhecem apenas a região central da cidade (Bairro Alto, Baixa etc), uma região montanhosa e realmente pouco convidativa para uma pedalada. Quem tem a sacada de sair desse circuito encontra uma Lisboa bastante bikefriendly.

Em azul, a rede de ciclovias de Lisboa.

Nos arredores do centro, quando a cidade passa a ser plana, há uma rede ciclovias entre parques e pontos turísticos conhecidos. É possível, por exemplo, ir do centro até Belém (roteiro em vídeo) só pela ciclovia. E o passeio de apenas 5km inclui a companhia do Rio Tejo, a ponte 25 de Abril e o Monumento aos Descobrimentos.

Passarela-ciclovia no Parque Monsanto (outras fotos aqui)

Com um pouco mais de energia dá pra percorrer os 10km desde a Praça do Comércio, passando pelo Oceanário e pelo beloParque das Nações (roteiro em vídeo) até a ponte Vasco da Gama. Desbravar de bike as 1.000 hectares do Parque Florestal de Monsanto (roteiro em vídeo) é outra sugestão. Há uma teia de ciclovias no seu interior além de uma rota de 5km da Marques de Pombal até lá.

Várias sugestões de rotas estão no site Lisbon Bike Map. Para quem pretende visitar Lisboa e gostou da ideia, sugiro o Lisbon Bike Tour. E claro, sempre dou a minha dica favorita: alugar uma bicicleta e se perder pela cidade.

Informações úteis

O transporte da bicicleta é permitido em qualquer horário no metrô, nos trens, no transporte fluvial e em 5 linhas especiais de ônibus (708, 723, 724, 725, 731). Na rua, os motoristas costumam ser cordiais com os ciclistas. As vias para bicicletas são identificadas pela polêmica pintura vermelha PT ou, em alguns pontos, por círculos de metal fixados nas calçadas. Nesse caso, é preciso ter atenção para não perder a ciclovia de vista.

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